Consumir menos para viajar mais

by Rebeca Gehren

Faz alguns anos, a Universidade Cornell publicou estudos do professor de psicologia Thomas Gilovich sobre por que experiências podem trazer uma satisfação mais duradoura do que bens materiais. A ideia continua aparecendo em pesquisas do grupo: vivências se tornam parte da nossa história, despertam lembranças e favorecem conexões com outras pessoas. Não sei se a fórmula funciona para todo mundo. Mas minha vida tem sido orientada nesse sentido: consumir o mínimo para experimentar o máximo.

Leia a síntese da pesquisa publicada pela Cornell University.

Consumir com mais intenção

Desde que me casei, eu e meu marido resolvemos adotar um estilo de vida mais prático, menos oneroso, que nos permitisse ficar “livres” para fazer aquilo que realmente importava para nós: viajar. O desapego não foi algo com data marcada, mas foi aumentando conforme crescia nossa vontade de viajar.

A adoção desse estilo de vida passou, por exemplo, por morar em um apartamento pequeno e prático, com poucos móveis e fácil de limpar. Desse jeito, raramente gastamos com faxina e os gastos com mobília foram pequenos — até porque tive que escolher: ou comprava aquele sofá em L maravilhoso ou ficava com o maridão; os dois não caberiam no apê. Também optamos por morar no Centro da cidade, o que tornou mais fácil não ter carro.

Comprar roupas de marca nunca fez parte dos meus hábitos, mas o próprio ato de comprar roupas, objetos e tudo mais agora passa por uma peneira: “eu preciso mesmo disso?” Na grande maioria das vezes, a resposta é não. Então penso se o dinheiro que seria gasto ali não poderia ser mais bem aproveitado de outra forma.

Transformar escolhas em experiências

Um sapato novo pode muito bem ser convertido na hospedagem de um fim de semana na praia. Uma jaqueta pode ser trocada por passagens para um destino nacional. Aquele eletrônico comprado no cartão a perder de vista pode equivaler àquela tão sonhada viagem de fim de ano.

Há quem associe viajar a ter muito dinheiro. Mas, nessa curta jornada, percebi — e tenho cada vez mais certeza disso — que viajar também é uma questão de prioridade. Para nós, gastar menos com algumas coisas abriu espaço para viajar mais. Isso não significa que a mesma escolha funcione para todas as pessoas ou orçamentos; significa reconhecer o que realmente tem valor na sua vida.

Experiências não precisam ser caras

Mas vamos além. Não é preciso viajar para escolher experiências em vez de coisas. Não é preciso nem ter muito dinheiro. É possível encontrar o mesmo tipo de prazer em atividades cotidianas, como reunir os amigos para assistir a um filme, comer uma pizza, tomar um chope ou simplesmente caminhar por um lugar querido.

As pesquisas de Gilovich ajudam a explicar esse efeito: enquanto nos acostumamos com muitas coisas que compramos, as experiências se ligam à memória, à identidade e às histórias que compartilhamos.

Quantas experiências você poderia ter vivido com o que investiu na última compra que fez? Será que ela trará boas lembranças daqui a dez anos? Pense nisso.

Leia também: 9 dicas para você viajar mais

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1 comentário

Rosangela 14/12/2018 - 11:08

Adorei seu post! Faz tempo que estou tentando desapegar de certas coisas, e com certeza aproveitar mais para viajar…
Nunca é tarde para começar. Estou adorando essa nova forma de vida que adotei. Viajar é preciso. Conhecer lugares, pessoas. Viajar alimenta nossa alma!!

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