Uma das primeiras coisas que pensamos quando bate aquela vontade de viajar é: “Ah, isso vai custar muito caro!”. O pensamento logo abafa a vontade e viajar torna-se uma daquelas coisas raras na vida. Mas uma viagem não precisa ser necessariamente cara. Com organização, prioridades claras e pesquisa, dá para transformar o desejo em um plano possível.
Reunimos aqui nove dicas para viajar mais e melhor. Não existe fórmula mágica: a ideia é entender o seu orçamento, criar uma meta realista e usar as ferramentas disponíveis sem deixar que a viagem vire uma dívida difícil de pagar.
Leia também: você não precisa ser rico para viajar e veja nossas dicas para planejar a viagem de lua de mel.
Como viajar mais: resumo das nove dicas
| Dica | Ação prática |
|---|---|
| 1. Planeje | Escolha uma viagem e dê prazo ao objetivo |
| 2. Organize o orçamento | Registre receitas, despesas e dívidas |
| 3. Separe a renda extra | Direcione parte do valor para a viagem |
| 4. Crie metas | Divida o custo estimado pelos meses disponíveis |
| 5. Estabeleça prioridades | Revise gastos sem cortar o que é essencial |
| 6. Pesquise passagens | Compare datas, aeroportos e custo final |
| 7. Use alertas | Acompanhe variações de preço sem depender de uma única busca |
| 8. Entenda pontos e milhas | Compare regras, validade e custo antes de transferir |
| 9. Escolha bem a hospedagem | Equilibre diária, localização, conforto e cancelamento |
9 dicas para viajar mais sem perder o controle do orçamento
1. Planeje: tire a ideia da cabeça e coloque no calendário
Essa é a primeira dica de todas. Não espere a viagem simplesmente acontecer. É muito fácil sonhar em “conhecer tal lugar” ou pensar “um dia eu vou”, mas o plano começa a ganhar forma quando você escolhe um destino — ou pelo menos um tipo de viagem — e estabelece uma data aproximada.
Não precisa comprar nada nesta etapa. Defina quanto tempo você tem, quem vai viajar, qual experiência procura e uma faixa de orçamento. Um fim de semana perto de casa também conta como viagem e pode ser um ótimo primeiro objetivo.
2. Faça um planejamento financeiro mensal

O planejamento mensal deve incluir todas as receitas e despesas, inclusive pequenos gastos que costumam passar despercebidos. “Colocar na ponta do lápis” dá um certo trabalho no início, mas permite entender quanto realmente sobra e qual meta cabe na sua vida.
Nós usamos bastante o Excel e o Planilhas Google para compartilhar e editar o orçamento na nuvem. Aplicativos de celular e as boas e velhas anotações em uma agenda também funcionam. O importante é escolher um método que você consiga manter. O Banco Central define o orçamento pessoal justamente como um planejamento que mostra quanto você ganha e com o que gasta.
3. Transforme a renda extra em fundo de viagem
Trabalhos extras e freelancers podem ajudar a acelerar a meta, desde que isso faça sentido para a sua rotina. Quando entrar uma graninha fora do orçamento normal, escolha previamente qual parte irá para a viagem. Assim, você evita que todo o valor desapareça na primeira promoção que surgir.
Em vez de pensar apenas em uma “poupança com letreiro luminoso VIAGEM”, use uma conta, categoria ou espaço separado que permita enxergar o progresso. O produto financeiro escolhido deve combinar com o prazo, a segurança e as suas necessidades; não vale correr um risco que você não entende para tentar antecipar a viagem.
4. Crie metas possíveis
Estime os grandes blocos de gasto: transporte, hospedagem, alimentação, passeios, seguro quando necessário e uma margem para imprevistos. Depois, divida o total pelo número de meses até a data planejada. Se o valor mensal ficar inviável, ajuste o destino, a duração ou o prazo — o plano deve caber na vida real.
Reveja a meta ao longo do caminho. Preços mudam e imprevistos acontecem. Uma viagem bem planejada não precisa ser perfeita; ela precisa continuar sustentável.
5. Estabeleça prioridades

Pôr do sol em Ilhabela – SP (Foto: Rebeca Gehren/Viver e Viajar)
Comece a ter prioridades na hora de gastar o seu dinheiro. Isso talvez mude um pouco a sua filosofia de vida. Antes de comprar algo, pense se realmente precisa daquilo ou se o valor poderia ser melhor aproveitado em outro objetivo.
Um sapato novo pode ser convertido na hospedagem de um fim de semana na praia. Uma jaqueta pode equivaler a parte de uma passagem nacional. Mas não transforme essa comparação em culpa: moradia, alimentação, saúde, lazer e uma reserva para imprevistos continuam importantes. A viagem entra no orçamento como uma escolha consciente, não como uma obrigação.
6. Pesquise as passagens com antecedência
Passagens aéreas variam conforme demanda, rota, datas, disponibilidade e regras tarifárias. Por isso, não existe uma regra universal de que o preço sempre cai três meses antes. Comece a acompanhar quando tiver datas prováveis e compare mais de um dia, aeroporto ou horário se houver flexibilidade.
Olhe o custo final, não apenas a primeira tarifa exibida. Bagagem, escolha de assento, deslocamento até um aeroporto distante e regras de alteração podem mudar bastante a conta. Uma passagem ligeiramente mais cara pode ser melhor se reduzir conexões, pernoites ou outros gastos.
7. Crie alertas de preço
A gente usa o alerta de preços do Skyscanner. Depois de pesquisar uma rota e as datas, é possível ativar o acompanhamento e receber avisos quando a tarifa mudar. Isso ajuda muito a entender a variação sem precisar refazer a mesma busca todos os dias.
O alerta é uma ferramenta de monitoramento, não uma garantia de disponibilidade. A tarifa pode mudar rapidamente entre a notificação e a compra. Antes de concluir, confirme datas, passageiros, bagagem, condições e o valor final no fornecedor escolhido.
8. Use milhas e pontos com estratégia
Milhas e pontos podem ajudar, mas as regras variam entre programas. Voar sempre pela mesma companhia não é necessariamente a melhor escolha: compare preço, rota, qualidade do voo, possibilidade de acumular em parceiros e validade dos pontos.
Se o cartão de crédito acumula pontos, verifique custos, prazos de transferência e quantidade necessária para emitir. Não aumente gastos nem pague juros apenas para gerar milhas. Antes de resgatar, compare o valor total da emissão — incluindo taxas — com o preço da passagem em dinheiro.
9. Economize na hospedagem sem escolher só pela diária

Área compartilhada do Yes Lisbon Hostel, em Lisboa (Foto: Divulgação)
Considere ficar em um hostel — muitos têm quarto privativo —, pousada, apartamento ou hotel mais simples. Só não compare apenas a diária. Uma hospedagem distante pode exigir mais transporte; uma tarifa sem cancelamento pode sair cara se o plano mudar; e uma cozinha disponível pode reduzir gastos com alimentação.
Se o objetivo é passar o dia inteiro conhecendo praias, trilhas ou a cidade, talvez você não precise de uma estrutura de resort. Se a finalidade for descansar e aproveitar o próprio hotel, investir mais na hospedagem pode fazer todo sentido. O importante é que a escolha combine com a experiência desejada.
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Checklist para transformar a vontade em uma viagem
- Escolha um objetivo e uma data aproximada.
- Estime o custo total, incluindo uma margem para imprevistos.
- Defina quanto consegue separar por mês sem comprometer despesas essenciais.
- Acompanhe passagens e hospedagem, mas compare sempre o preço final.
- Revise o plano antes de pagar tarifas não reembolsáveis.
Perguntas frequentes
Como viajar mais ganhando pouco?
Comece com uma meta proporcional à sua renda: viagens curtas, baixa temporada e destinos próximos podem reduzir transporte e hospedagem. Registre os gastos, escolha prioridades e aumente o prazo de planejamento se a parcela mensal não couber no orçamento.
Com quanto tempo de antecedência devo comprar passagens?
Não existe um número que funcione para todas as rotas. Comece a acompanhar quando tiver datas prováveis, crie alertas e compare o histórico recente. Feriados, férias e eventos costumam exigir mais antecedência, mas a decisão deve considerar o preço final e as regras da tarifa.
Hostel é sempre mais barato que hotel?
Não. O preço depende do destino, das datas e do tipo de quarto. Compare hostel, pousada, apartamento e hotel considerando localização, transporte, banheiro, cozinha, café da manhã e cancelamento — não apenas a diária.
Vale a pena usar milhas para qualquer viagem?
Nem sempre. Compare quantos pontos serão usados, as taxas cobradas, a validade e o preço da passagem em dinheiro. O melhor resgate é aquele que faz sentido para o seu saldo e para a viagem, sem gerar gastos desnecessários só para acumular.
