Depois de dois anos morando em Paris, fomos finalmente conhecer o Père-Lachaise, o famoso cemitério de Paris. Inaugurado em 1804, durante a reorganização dos cemitérios parisienses na era napoleônica, o local é hoje um dos pontos mais visitados da cidade e guarda — além dos restos mortais de muitas personalidades — histórias, obras funerárias e curiosidades.
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Mais de 3 milhões de pessoas visitam o Père-Lachaise todos os anos. O cemitério ocupa 43 hectares, reúne cerca de 70 mil concessões funerárias e tem aproximadamente 15 quilômetros de caminhos. Entre os nomes mais conhecidos estão o filósofo Auguste Comte, os pintores Modigliani e Eugène Delacroix, músicos como Frédéric Chopin, Jim Morrison e Édith Piaf, além de escritores como Marcel Proust e Oscar Wilde.

Um pouco da história do Père-Lachaise
O cemitério foi aberto em 1804 no 20º arrondissement, numa área que, na época, era considerada distante do centro de Paris. O projeto paisagístico foi confiado ao arquiteto Alexandre-Théodore Brongniart e deu origem ao então chamado Cemitério do Leste.
Mas, como ninguém queria ser enterrado “longe”, o cemitério meio que flopou, sabe… Para aumentar o prestígio do lugar, restos mortais atribuídos a personalidades como Molière e La Fontaine, além dos de Héloïse e Abélard, foram transferidos para lá no início do século XIX. A estratégia chamou atenção e ajudou o Père-Lachaise a se tornar um dos cemitérios mais conhecidos do mundo.
O cemitério também foi palco de episódios marcantes. Em 1871, durante a Semana Sangrenta que encerrou a Comuna de Paris, 147 combatentes foram fuzilados diante do local que ficou conhecido como Mur des Fédérés.
O Père-Lachaise continua sendo um cemitério em atividade. As concessões seguem regras administrativas da Prefeitura de Paris, dependem da situação da pessoa falecida e da disponibilidade — por isso, não funciona simplesmente como uma lista de espera aberta para interessados.
Celebridades e curiosidades
Acima, à esquerda, o túmulo do roqueiro Jim Morrison, vocalista do The Doors, é um dos que mais dão trabalho à direção do cemitério. Em datas comemorativas, como o aniversário da morte do cantor, a segurança do Père-Lachaise costuma ser reforçada. Em 1991, no 20º aniversário de sua morte, uma multidão de fãs foi visitar o túmulo e a polícia precisou intervir.
Acima, à direita, está o túmulo do compositor Frédéric Chopin, um dos mais visitados.

A estátua de bronze no túmulo de Victor Noir, representada com uma saliência sob a roupa, é uma das histórias mais curiosas do Père-Lachaise. Segundo a tradição popular ligada à fertilidade, visitantes passaram a colocar flores no chapéu da estátua, beijá-la nos lábios e tocar sua região genital, hoje visivelmente desgastada.
Tem muita história interessante envolvendo os túmulos e personalidades, mas o que mais nos chamou atenção foi a paisagem: ruas arborizadas, esculturas e monumentos que mudam completamente de aparência conforme a estação. Se a sua visita calhar no outono, entre outubro e novembro, as árvores e folhas em tons de laranja serão um pequeno espetáculo. 🍁🍂
Como visitar o Père-Lachaise
- Entrada: gratuita e aberta ao público todos os dias do ano, inclusive feriados;
- Horários: mudam conforme a estação, e a entrada de visitantes termina 15 minutos antes do fechamento. Confira os horários e eventuais fechamentos na página oficial da Prefeitura de Paris no dia da visita;
- Tempo de visita: reserve pelo menos duas horas. O terreno é extenso, inclinado e tem trechos de paralelepípedos e terra, então vale usar calçados confortáveis;
- Mapa: consulte o mapa geral e os mapas das personalidades antes de entrar ou pelo celular.
Como chegar
Há várias entradas. A porta principal fica no 28 ter, boulevard de Ménilmontant, próxima às estações de metrô Philippe Auguste e Père-Lachaise. A porta Gambetta, no 55–57, rue des Rondeaux, fica perto da estação Gambetta e facilita começar pela parte mais alta. A porta do Repos, no 16, rue du Repos, é outra opção próxima ao metrô Philippe Auguste.
Como o Père-Lachaise é, antes de tudo, um espaço funerário e de recolhimento, é importante respeitar cerimônias e pessoas enlutadas. Não é permitido fazer piquenique, correr, entrar com animais, bicicletas ou patinetes, usar aparelhos sonoros nem se sentar ou subir nos monumentos funerários.
Onde ficar em Paris
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