Eu caí de paraquedas para morar durante cinco meses na Cidade Luz por conta de um intercâmbio universitário em 2013 (conto como foi esse processo neste post). Embora minha história na cidade tenha começado quase que sem querer, foi amor à primeira vista. E não me espantaria se visse um estudo que levantasse o grande número de pessoas que passam pela cidade e simplesmente se apaixonam por Paris.

Talvez tenha algo a ver com seus infinitos bulevares monocromáticos tão rebuscados quanto preservados, que dão ares românticos à cada pequena esquina da cidade.

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Ou talvez seja o Rio Sena, enorme e pomposo, cortando Paris de leste a oeste, por onde se pode caminhar pelas margens de paralelepípedos, passando por baixo das inúmeras pontes – exatamente igual a qualquer fotografia e cartão postal que você vir da década de 1920 ou de 1968.

Pode também ter a ver com os cafés e suas mesinhas, onde franceses se agrupam uns aos outros em terraços; ou com as estações de metrô tão eficientes, onde a vida cotidiana acontece; ou ainda com as pâtisseries e boulangeries, de onde é impossível sair sem um delicioso croissant de chocolate e uma baguete debaixo do braço.

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Pelo menos para mim, foi a junção de tudo isso e muito mais.

É uma cidade que parece que parou no tempo. Não por ser velha. Mas por suas leis de preservação urbana (construções de prédios com mais 12 andares, por exemplo, não são permitidos nas regiões centrais), Paris é praticamente igual ao que era nos anos 1940 ou 1960. De alguma maneira, ela não parece ser uma cidade do século 21. Paradoxalmente, consegue ser, ao mesmo tempo, uma cidade cosmopolita, com tudo o que a capital de um país carrega: é o centro político, econômico e cultural da França. Tudo acontece lá.

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Morando em Paris durante um intercâmbio universitário

Em 2013, eu morava em um studio (nome francês para quitinete) de 10 m² no último andar do prédio. O tamanho não é exagero. Era mais um dos “chambres de bonne”, antigos quartos para empregados domésticos das elites no fim do século 19. Hoje em dia, estas moradias foram reformadas e seu uso é em sua maioria feito por estudantes vindos do interior da França e jovens no início da vida profissional.

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Meu studio ficava no sexto andar de um prédio sem elevador. Você imagine os dias de fazer compras no mercado. Sozinha (voltei da França, é claro, magra e com as pernas malhadas na-tu-ral-men-te). Mas a verdade é que nada disso me aborrecia. Eu estava morando no Boulevard Saint-Germain, no 6ème, uma das regiões mais centrais, tradicionais e históricas da cidade. Não podia estar mais feliz.

Nos meses que se seguiram minha vida foi a junção de desenvolver o francês, arranjar um trabalho, dar conta da faculdade, turistar constantemente e aprender a viver em outra sociedade. Tive que descobrir coisas básicas, desde como funcionava o chip de celular e abrir uma conta bancária, até coisas mais abstratas, como olhares e posturas e o que elas significavam (cantadas na rua, por exemplo, são tão raras e discretas, que só passei a perceber no fim do intercâmbio; lidar com a rapidez e extrema objetividade de garçons em restaurantes, acho que saí de lá sem aprender).

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Fato é que há aqueles (poucos e que eu, particularmente, nunca chegarei a compreender) que dizem não gostar de Paris. Creio que grande parte dessa constatação sobre a cidade tem a ver com os parisienses, que têm, digamos assim, um jeito bem peculiar.

Os cidadãos de Paris são vistos por muitos (inclusive por franceses de outras regiões da França) como antipáticos ou mal-humorados. É verdade que eles são bem reservados e objetivos. Acho que tem muito a ver com uma maneira de ser que é diferente da nossa. Depois de vencida essa barreira do primeiro contato, conheci parisienses gentis e carinhosos.

E você, também se apaixonou por Paris? Ou também teve problemas com os parisienses? Conta para a gente a sua experiência!