Mestrado na França em inglês: como a Jéssica foi sem falar francês (e estagiou na Itália)

by vivereviajar

Dá para fazer um mestrado na França em inglês sem falar francês? A Jéssica é a prova de que sim. Ela começou a candidatura sem saber o idioma e hoje está no segundo ano de um mestrado 100% em inglês em Angers, na França. No meio do curso, ainda fez seis meses de estágio na Itália.

Jéssica, brasileira que faz mestrado na França em inglês
A Jéssica foi aluna da Mentoria do Projeto Estudar na França e hoje faz mestrado em Angers.

Como tanta gente, ela sempre quis estudar fora, mas o plano foi ficando para depois: precisou trabalhar, pagar a faculdade, e o sonho acabou indo para a gaveta. Numa live com a Rebeca, a Jéssica contou como tirou esse projeto do papel. Neste post, a gente reuniu o que ela contou sobre a candidatura, a rotina no mestrado, o estágio na Europa e o que ela diria para quem ainda está no “um dia eu vou”.

Assista à live com a Jéssica

A conversa completa, de cerca de 48 minutos, está no Instagram do Viver e Viajar:

Assistir à live com a Jéssica no Instagram

Do sonho na gaveta à decisão de estudar na França

Na adolescência, o destino dos sonhos da Jéssica era os Estados Unidos. Com o tempo, esse brilho foi passando, e a vontade de estudar fora ficou em segundo plano. Até que, há cerca de três anos, numa viagem em família para Paris, ela pensou: “eu preciso vir morar aqui um dia”.

Pouco depois, ela viu no Instagram o anúncio de uma live sobre estudar na França e resolveu assistir “para ver como é”. Foi ali que conheceu as universidades públicas francesas, com taxas bem mais baixas que as de muitos destinos de estudo no exterior, e os benefícios que o estudante tem no país. E decidiu tentar. (Se você ainda está nessa fase, comece pelo nosso guia Como estudar na França.)

Mestrado na França em inglês, mesmo sem falar francês

A Jéssica começou a candidatura entre meados e o fim de novembro, mais ou menos nesta época do ano. Como ainda não falava francês, a estratégia foi mirar nos mestrados ministrados em inglês. A França tem centenas de formações desse tipo, e o próprio Campus France reúne essas opções no catálogo Programs Taught in English.

Para um curso em inglês, a universidade pede um teste de proficiência em inglês, não em francês. Como o certificado da Jéssica estava vencido, ela fez uma prova nova. Se você está nessa etapa, veja quais são as provas de proficiência aceitas na França.

Ao mesmo tempo, ela começou a estudar francês, não para o curso, mas para se virar no dia a dia. E isso fez diferença: em Angers, segundo ela, é difícil encontrar quem fale inglês numa loja ou num órgão público. Mesmo num mestrado em inglês, a vida na França acontece em francês.

Um mestrado em hotelaria depois de uma graduação em Administração

A graduação da Jéssica no Brasil foi em Administração, e hoje ela faz International Hospitality Management, um mestrado voltado para hotelaria e turismo. O primeiro ano teve matérias gerais de negócios, como gestão e marketing, e o segundo é mais focado na área. Ou seja, dá para fazer um mestrado numa área próxima da sua graduação, sem ser exatamente a mesma.

A turma tem cerca de 40 alunos, e só 6 são franceses. Os colegas vêm do Nepal, da Índia, da Rússia, da Ucrânia, dos Estados Unidos e de outros países. Nos cursos em inglês, é comum a turma ser muito internacional.

Como foi a candidatura para o mestrado

Nas palavras dela, o processo “não é difícil, mas é muito complexo”. Não tem vestibular nem prova de seleção, mas são muitos documentos, prazos e detalhes. Os pontos que mais pesaram para a Jéssica foram:

  • Entender os cursos: os nomes das formações mudam muito de uma universidade para outra, e nem sempre fica claro qual curso combina com a sua área. Ela chegou a se encantar por um mestrado em Paris, mas, ao pesquisar melhor, viu que não era o que esperava.
  • Escrever uma carta de motivação para cada curso: ela começou com uma carta única para todas as candidaturas e precisou refazer tudo. Uma carta genérica não funciona.
  • Organizar documentos e traduções dentro dos prazos.
  • A entrevista: depois do envio, uma das universidades marcou uma entrevista com ela. As perguntas lembravam uma entrevista de emprego: por que esse curso, o que ele vai agregar à sua carreira e o que você pode trazer para a turma.
  • A ansiedade: entre fechar as candidaturas e receber as respostas, passam alguns meses. E, durante todo o processo, bate a dúvida se os documentos e as cartas estão certos.

O que ajudou, segundo ela, foi seguir um passo a passo e ter um grupo de pessoas no mesmo processo. Os colegas da mentoria trocavam informações sobre cada etapa, do consulado às provas de nível, e foi assim que ela se preparou para a entrevista. Isso conta muito, porque quase ninguém no seu círculo vai estar passando pela mesma coisa: no caso dela, só a mãe, um professor que escreveu a carta de recomendação e o gerente do trabalho sabiam da candidatura.

Quer começar agora? O post Campus France 2027: candidaturas abertas e as datas que você não pode perder traz o calendário oficial deste ciclo.

Estágio na Itália durante o mestrado na França

O curso da Jéssica tem um estágio obrigatório em cada ano. No primeiro ano, as aulas pararam em meados de março, e a turma ficou livre até o início de setembro para fazer um estágio de 4 a 6 meses. Nesse período, as únicas obrigações com a universidade eram o relatório de estágio e a dissertação, que eles já começam a escrever no primeiro ano.

Como o estágio podia ser feito em outra cidade ou até em outro país, ela procurou vagas que priorizassem o inglês. Encontrou uma numa plataforma de estágios ligada ao Erasmus, com oportunidades em vários setores e países da Europa. Fez duas entrevistas e foi aprovada para o setor de alimentos e bebidas de um camping de luxo no Lago de Garda, no norte da Itália.

Ela ficou lá de março a agosto. Trabalhou com marketing, comunicação digital e no restaurante, com colegas e clientes do mundo inteiro. Para isso, precisou tirar um visto de estudante italiano, que, segundo ela, saiu rápido. Outro ponto que pesou na escolha: o valor pago ao estagiário era um pouco maior do que na França. Nas folgas, ela conheceu Milão, Verona e Brescia.

Agora ela já procura o segundo estágio, que começa em janeiro. Se você se interessa por cursos que unem estudo e trabalho, vale conhecer também o mestrado em alternância na França.

Como é estudar em Angers

Jéssica em frente ao Castelo de Angers, cidade onde faz mestrado na França
A Jéssica em frente ao Castelo de Angers.

Angers é uma cidade universitária no oeste da França, a cerca de 1h30 de Paris de trem. Para a Jéssica, ela tem o tamanho certo: não é pequena, mas também não é uma cidade grande como Paris. Tem muitas universidades, muitos jovens e vários cursos ligados a patrimônio e cultura, uma dica para quem é dessas áreas.

Morar na França também facilitou as viagens: no primeiro Natal, ela foi passar duas semanas em Portugal com uma amiga. Mas ela lembra que o mestrado ocupa bastante tempo. No segundo ano, não há calendário de provas, mas há muitos projetos para entregar. Para ter uma ideia do orçamento de quem estuda no país, veja quanto custa estudar na França.

Escolher o curso pensando no depois

A Jéssica escolheu o mestrado em hotelaria porque é uma área que contrata muito na França e na Europa, e o plano dela é trabalhar aqui depois de formada. Esse é um dos pontos mais importantes da candidatura: escolher um curso que faça sentido com o que você já fez e com o que você quer fazer depois. Quando essa escolha está clara, a carta de motivação fica muito mais fácil de escrever.

E, mesmo para quem pensa em voltar para o Brasil, um diploma e uma experiência de trabalho na Europa contam muito no currículo.

O conselho dela para quem ainda está no “um dia eu vou”

Ela é direta: estudar fora é um investimento e exige organização, inclusive financeira. No caso dela, a decisão veio de repente, e foi preciso cortar gastos e definir prioridades. Mas o recado final é este:

“Se organiza no máximo que der, mas vem, porque vale muito a pena.”

Além do diploma, ela conta que aprendeu muito sobre o mundo e sobre si mesma. Foi a primeira vez que morou fora do país sozinha, e descobriu que é mais resiliente do que imaginava.

Rebeca Gehren, do Viver e Viajar

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Tire da gaveta o sonho de estudar na França. Saia com um plano pronto.

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DataSáb 14.11
Horário10h–16h
FormatoOnline
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Perguntas frequentes sobre mestrado na França em inglês

Preciso falar francês para fazer mestrado na França?

Não, se o curso for em inglês. Nesse caso, a universidade pede um teste de proficiência em inglês. Mas vale aprender o básico de francês antes de se mudar, porque o dia a dia, as compras e os órgãos públicos funcionam em francês, principalmente fora de Paris.

Como encontrar mestrados em inglês na França?

O ponto de partida é o catálogo de formações em inglês do Campus France. Depois, vale ler com atenção o programa de cada curso no site da universidade, porque os nomes das formações variam muito e nem sempre mostram o conteúdo.

Dá para fazer estágio em outro país durante o mestrado?

Depende do curso. No caso da Jéssica, o estágio era obrigatório e podia ser feito em qualquer lugar, desde que dentro do período previsto pela universidade. Para estagiar na Itália, ela precisou de um visto de estudante italiano.

Quanto tempo leva a candidatura?

Do início da candidatura às respostas das universidades, são alguns meses. A Jéssica começou em novembro. As datas oficiais do ciclo atual estão no post sobre o Campus France 2027.

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