Quando pensamos em estudar no exterior, muitas vezes surge a ideia de que é necessário ser extremamente rico ou conquistar uma bolsa de estudos muito concorrida para realizar esse sonho. Essa ideia é fortemente influenciada por países como os Estados Unidos, onde as mensalidades podem ultrapassar dezenas de milhares de dólares por ano.
A França, porém, continua ocupando uma posição diferenciada. Seu sistema público de ensino superior é amplamente financiado pelo Estado, o que permite oferecer formações reconhecidas e taxas de inscrição inferiores às praticadas por muitos outros destinos internacionais.
O país conta com uma rede diversificada de mais de 3.500 instituições de ensino superior, entre universidades, escolas especializadas e Grandes Écoles, além de diplomas nacionais reconhecidos pelo Estado (Campus France).
Estudar na França também representa a oportunidade de dominar uma língua com grande relevância internacional. De acordo com o relatório de 2026 da Organização Internacional da Francofonia, o francês possui aproximadamente 396 milhões de falantes, é a quarta língua mais falada no mundo, a segunda língua estrangeira mais estudada e a terceira língua da economia e dos negócios (OIF).
As mudanças recentes nas taxas e nas regras de exoneração exigem mais atenção dos candidatos, mas não retiram da França sua atratividade. Entender os valores, pesquisar as universidades e preparar o projeto de estudos com antecedência tornou-se ainda mais importante.
Quanto custa estudar em uma universidade pública francesa?
Desde 2019, a França adota uma política de taxas diferenciadas para determinados estudantes de fora da União Europeia, do Espaço Econômico Europeu e da Suíça.
Para o ano universitário de 2026-2027, os valores nacionais de referência nas universidades públicas vinculadas ao Ministério do Ensino Superior são:
- € 2.902 por ano na Licence, equivalente à graduação;
- € 3.950 por ano no Master;
- € 398 por ano no Doctorat.
O doutorado não está sujeito às taxas diferenciadas: os doutorandos estrangeiros pagam o mesmo valor nacional aplicado aos demais estudantes. Também existem categorias de estudantes extracomunitários que, em função de seu status ou de sua situação, não estão sujeitas às taxas diferenciadas (Campus France).
Esses valores podem representar um impacto importante no orçamento de quem planeja estudar na França. Ainda assim, eles permanecem inferiores às anuidades cobradas em diversos destinos europeus procurados por estudantes internacionais.
O que mudou nas exonerações em 2026?
Em meados de 2026, o governo francês publicou um decreto que restringiu a autonomia das universidades na concessão de exonerações das taxas de inscrição. O novo texto não elimina essa possibilidade, mas estabelece regras mais precisas.
As exonerações individuais, totais ou parciais, continuam podendo ser solicitadas pelo estudante. A análise deve considerar sua situação pessoal, especialmente suas condições financeiras.
Para 2026-2027, cada instituição poderá conceder exonerações individuais dentro de um teto equivalente a 30% dos estudantes da categoria correspondente. Esse limite será reduzido para 25% em 2027-2028 e para 20% a partir de 2028-2029.
As universidades continuarão responsáveis por analisar as solicitações e definir os critérios relacionados à situação pessoal dos candidatos (Ministério do Ensino Superior francês).
Como a regulamentação é recente, a forma de aplicação ainda pode não estar detalhada em todos os sites das universidades para os próximos anos acadêmicos. O candidato deve verificar diretamente a política da instituição escolhida e acompanhar possíveis atualizações.
Quando uma exoneração total ou parcial é aprovada, ela pode reduzir significativamente o valor efetivamente pago e tornar o custo da formação francesa ainda mais competitivo. Preparar o projeto com antecedência, conhecer os procedimentos da universidade e organizar corretamente os documentos que comprovem a situação pessoal e financeira torna-se, portanto, essencial.
As universidades francesas continuam mais acessíveis do que em outros países?
Mesmo quando o estudante precisa pagar integralmente as taxas diferenciadas, a França continua apresentando valores atrativos em comparação com importantes destinos universitários europeus.
Em vários países procurados por estudantes internacionais, as anuidades são consideravelmente mais altas:
- Nos Países Baixos, estudantes de fora do EEE pagam entre € 9 mil e € 20 mil por ano na graduação e entre € 12 mil e € 30 mil no mestrado (Study in NL).
- Na Irlanda, as graduações custam geralmente entre € 10.300 e € 29 mil por ano, podendo ultrapassar € 50 mil em medicina (Education in Ireland).
- Na Inglaterra, as referências oficiais para o Reino Unido ficam entre £ 11.400 e £ 38 mil por ano na graduação — aproximadamente € 13.300 a € 44.400 — e entre £ 9 mil e £ 30 mil na pós-graduação — cerca de € 10.500 a € 35 mil (British Council).
- Na Suécia, os valores para estudantes de fora da UE/EEE ficam entre SEK 80 mil e SEK 295 mil por ano — aproximadamente € 7.200 a € 26.700 —, com média próxima de SEK 129 mil, ou € 11.700 (Comissão Europeia).
- Na Noruega, as instituições estabelecem suas próprias taxas. Na Universidade Ártica da Noruega, por exemplo, elas variam de NOK 100.500 a NOK 351 mil por ano — aproximadamente € 9.200 a € 32.300 (Study in Norway, UiT).
Outros países apresentam valores mais variados, que podem ser próximos, inferiores ou superiores aos franceses:
- Na Bélgica, as instituições da região de Flandres cobram entre € 2.300 e € 9.500 por ano de estudantes de fora do EEE (Study in Flanders).
- Na Suíça, as taxas para estrangeiros variam aproximadamente de CHF 435 a CHF 4 mil por semestre — cerca de € 465 a € 4.280. Algumas universidades cobram valores próximos ou inferiores aos franceses, embora o custo de vida no país seja elevado (swissuniversities).
- Em Portugal, os valores são definidos pelas instituições. Em 2026-2027, uma graduação custa € 3.500 por ano na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, enquanto alguns cursos do ISEG chegam a € 7.500 por ano (Ciências ULisboa, ISEG).
- Na Hungria, tomando como referência a Faculdade de Humanidades da ELTE, a maioria das graduações custa cerca de € 2 mil por semestre e a maioria dos mestrados, € 2.500 por semestre, embora alguns cursos sejam mais caros (ELTE).
- Na Polônia, as taxas ficam, em média, próximas de € 2 mil por ano, enquanto cursos ministrados em inglês costumam custar aproximadamente € 3 mil (Study.gov.pl).
- Na Espanha, as graduações nas universidades públicas têm valores de referência entre € 700 e € 1.800 por ano, mas estudantes de fora da União Europeia podem pagar taxas mais altas, conforme a região e a universidade (SEPIE).
- Na Alemanha, muitas universidades públicas não cobram taxas acadêmicas em cursos de primeira graduação e em diversos mestrados. Há exceções, como Baden-Württemberg, onde estudantes de fora da UE pagam € 1.500 por semestre (DAAD).
As conversões de libra esterlina, franco suíço, coroa sueca e coroa norueguesa são aproximadas e utilizam as taxas de referência publicadas pelo Banco Central Europeu em 21 de agosto de 2026 (BCE).
Finalmente, a França permanece em uma faixa muito competitiva, sobretudo quando comparada com Países Baixos, Irlanda, Inglaterra, Suécia e muitos programas oferecidos na Noruega.
Além das taxas universitárias, a comparação do orçamento precisa considerar moradia, alimentação, transporte, seguro e outras despesas. Um país com taxas acadêmicas menores não oferece necessariamente o menor custo total para o estudante.

Tenho cidadania europeia: quanto custa estudar na França?
As taxas diferenciadas não se aplicam aos cidadãos da União Europeia, do Espaço Econômico Europeu e da Suíça.
Para 2026-2027, os valores nacionais são:
- € 178 por ano na Licence;
- € 255 por ano no Master;
- € 630 por ano em determinadas formações de engenharia vinculadas ao Ministério do Ensino Superior;
- € 398 por ano no Doctorat.
Algumas escolas de engenharia e instituições vinculadas a outros ministérios possuem tarifas próprias. Por isso, o valor deve sempre ser confirmado no site da instituição escolhida (Campus France).
Estudar em uma Grande École na França: quanto custa?
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, as Grandes Écoles não são necessariamente instituições privadas. Existem Grandes Écoles públicas e privadas, normalmente caracterizadas por processos seletivos rigorosos e formações especializadas em áreas como engenharia, administração, ciências políticas e outras carreiras.
Os valores variam bastante. Em 2026-2027, determinadas formações públicas de engenharia vinculadas ao Ministério do Ensino Superior cobram € 630 por ano. Nas Écoles Centrales e na Mines Nancy, o valor nacional informado é de € 2.620 por ano.
Já em escolas privadas, especialmente nas áreas de comércio e administração, as anuidades podem variar aproximadamente de € 6 mil a € 18 mil, ou até mais, conforme a instituição e o programa.
Por isso, é importante verificar se a instituição é pública ou privada, qual diploma oferece, se o curso possui reconhecimento oficial e quais bolsas ou formas de financiamento estão disponíveis.
Bolsas de estudo na França: existe essa possibilidade?
A resposta é sim! Existem bolsas oferecidas pelo governo francês, universidades, instituições de pesquisa e outras organizações, com oportunidades para graduação, mestrado e doutorado.
É importante diferenciar uma bolsa de estudos de uma exoneração. A exoneração reduz total ou parcialmente as taxas de inscrição. Já uma bolsa pode também oferecer auxílio financeiro para despesas como moradia, alimentação ou transporte, dependendo do programa.
Embora a concorrência possa ser alta, pesquisar as oportunidades e preparar a candidatura com antecedência aumenta as possibilidades de encontrar uma solução adequada ao projeto.
Para conhecer alguns dos principais programas, consulte também nosso artigo sobre como estudar na França com bolsa de estudos.
Afinal, ainda vale a pena estudar na França?
Mesmo diante das mudanças recentes, a França continua sendo um destino acadêmico atrativo. O país reúne universidades públicas financiadas pelo Estado, formações reconhecidas, uma experiência cultural internacional e a oportunidade de aprender uma das línguas mais importantes do mundo.
As possibilidades de exoneração continuam existindo, embora dependam da análise da instituição e da situação individual do estudante. Com pesquisa, planejamento e uma candidatura bem preparada, ainda é possível encontrar universidades e condições financeiras compatíveis com diferentes projetos.
No Viver e Viajar, podemos ajudar você a compreender as etapas desse processo e preparar sua jornada rumo ao ensino superior francês.
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A gente espera que este artigo tenha ajudado a esclarecer suas dúvidas sobre quanto custa estudar na França. Se ainda tiver alguma, fale conosco pelo Instagram e não esqueça de nos seguir para acompanhar as novidades.
